INFRAESTRUTURA

Para conquistarmos a cidade que queremos,
temos que começar a planejar agora o futuro de Salvador. Veja abaixo importantes questões que precisam ser pensadas para que seja definido o desenvolvimento da cidade.

Crescimento econômico

A Bahia não será beneficiada diretamente pelo maior eixo logístico em implantação no Nordeste que une os dois maiores sistemas portuário-industrial através da ferrovia Transnordestina.

No entanto, a ferrovia de integração oeste-leste (FIOL) deverá promover a ampliação da produção e exportação da soja e de outros produtos agrícolas, além de viabilizar a exploração e exportação de minério de ferro.

A economia mineral e do agronegócio tem um grande potencial, mas estão dependentes da viabilização da logística.

O comércio e a prestação de serviços de nível estadual ou regional são, juntamente com o mercado imobiliários, os principais multiplicadores da renda e da expansão urbana.

O mercado imobiliário puxa a construção, mas os empreendimentos imobiliários dependem da existência de uma demanda para os seus imóveis, nos diversos patamares de preço e renda.

É preciso sempre considerar as fontes e continuidade de renda, o que decorre das atividades econômicas anteriormente citadas.


O papel de Salvador

Salvador, como a capital do Estado, deverá ser a principal apropriadora de renda gerada pelo crescimento econômico do Estado.

Como tal, deverá continuar se expandindo territorialmente, adensando a Região Metropolitana, com aumentos demográficos superior ao do país e do Estado, o que significa que continuará recebendo imigrantes, tanto da Bahia como de outros Estados.

Salvador é, naturalmente, a sede dos órgãos estaduais, concentrando a receita e os empregos públicos.

As perspectivas globais da Bahia são de um crescimento moderado, acompanhando o movimento nacional, sem um grande projeto acelerador, como ocorreu no passado com o polo petroquímico.

Algumas projeções indicam uma média de crescimento inferior à da região Nordeste.


Sede de empresas

A Bahia foi sede da criação de grandes grupos empresariais, processo que não teve continuidade no mesmo ritmo, além do fato de que esses grupos transferiram parte de seus escritórios para outras regiões.

Em contrapartida grupos nacionais ou multinacionais têm concentrado algumas das suas atividades gerenciais na Bahia, como a Ford e a Petrobras.

A hospedagem de sedes empresariais é uma importante fonte de renda para a cidade.

A estruturação urbana tendencial

A continuidade de crescimento, sem grandes saltos, deverá seguir a lógica usual das dinâmicas urbanas das classes sociais:

  • A riqueza buscará os condomínios na orla da praia (Stella Maris, ) e nas áreas nobres no entorno do Caminho das Árvores
  • A pobreza continuará sendo empurrada para os morros e para a periferia, na extensão do Miolo
  • A classe média buscará aproximação às áreas de riqueza, ocupando prédios verticalizados
  • Os escritórios tenderão a continuar se concentrando na Pituba
  • Essa região se consolidará como o novo e moderno centro de Salvador em detrimento do centro tradicional

 

Inexistência de projeto germinador

Na inexistência de um projeto germinador ou propulsor do crescimento econômico que influencie significativamente a estrutura urbana futura, esta poderá ser conduzida pelos planos metropolitanos ou municipais.

Os planos poderão seguir as tendências atuais, buscando a ordenação microrregional, ou tentar reverter essas tendências, com uma estruturação polinucleada com uma rede de centros e subcentros regionais, com a integração das funções urbanas.

 

Os vetores de crescimento

A economia baiana vive da maturação do grande surto de investimentos privados e mistos realizados até o início do século XXI, porém não teve um novo ciclo de grandes investimentos em produção econômica, o que deverá afetar a evolução do seu PIB nos próximos anos.

Ademais, alguns desses setores estão sob ameaças:

  • O Polo Petroquímico de Camaçari, com a Braskem à frente, estará sendo afetado pelo gás de xisto, em franca produção nos EUA, cujo custo é muito inferior ao da nafta.
  • A indústria automobilística mundial está numa situação de forte concorrência, com a Ford adiando os planos de expansão de sua fábrica na Bahia.
  • A indústria calçadista que se instalou em Paraguaçu e outros locais no interior está reduzindo a sua produção diante da concorrência asiática e de outras localidades no próprio Brasil.
  • Tanto o agronegócio, já consolidado no oeste baiano, como a mineração de ferro – esta ainda em início – dependem da logística que seria atendida pela construção de ferrovia de integração leste-oeste (FIOL), ligando Barreiras ao litoral, na altura de Ilheus / Itabuna.
  • A instalação de estaleiros para a montagem de plataformas para a exploração e produção de petróleo & gás é uma nova oportunidade de geração de renda e empregos.


Principais questões controversas
Traçado e tecnologia do transporte de massa

Os planos urbanos preveem uma segunda linha de transporte de massa, a partir do centro tradicional, seguindo pela Avenida Luiz Viana Filho ( Paralela) até Lauro de Freitas.

A tecnologia já sofreu diversas alterações: inicialmente foi previsto o BRT, posteriormente o VLT, e a opção mais recente é uma linha metroviária.

A modelagem econômica e institucional também sofreu alterações: a previsão inicial de ser um empreendimento público foi substituída pela alternativa de uma concessão patrocinada, precedida por uma MIP, deixando a escolha da tecnologia ao proponente privado.

Duas são as controvérsias:

  • A ligação e o traçado
  • A tecnologia

 

Função da ligação

Qual será a função e, consequentemente, a demanda a ser atendida pela Linha 2? Seria de integração de polos de funções múltiplas?

Atendimento de áreas dormitórios:

  • De trabalhadores de baixa renda?
  • De média renda ou de alta renda?


No primeiro caso aprofundará o processo de periferização da pobreza, para além de Lauro de Freitas.

No segundo caso, provavelmente contribuirá para o adensamento do entorno das estações, promovendo maior descentralização da cidade.

 

As probabilidades

Um trajeto linear extenso, com tarifa única (não quilométrica), contribuirá para a periferização da pobreza e do distanciamento da moradia da classe média do local de emprego.

A linha poderá ter elevada carga diária de passageiros, sem contudo eliminar o grande volume de carros na Paralela.

O aumento do volume de moradias e de deslocamento leva a essa consequência, visível nas vias paralelas aos eixos metroviários de São Paulo.

A classe alta não substituirá o carro, apesar dos congestionamentos, por um transporte coletivo lotado e com restrições de pontos de atendimento.

Diante dessas questões, vale a pena investir em trajetos lineares de transporte coletivo de massa? Com que tecnologia?


Revitalização:

A ilha voltaria a ser atrativa para a instalação de resorts e outros equipamentos turísticos, concorrendo com a área litorânea norte, suprida pela Linha Verde, com a vantagem da maior proximidade com o centro de Salvador.

A ilha passaria a ser uma alternativa para a moradia da classe alta e média, com o desenvolvimento de atividades comerciais, serviços e lazer, repetindo o que ocorreu em Vila Velha, no Espírito Santo, com a Terceira Ponte, ligando esse município e Vitória.


Periferização:

A ilha se desenvolveria como uma área dormitório da população de menor renda, ampliando e consolidando uma situação que já ocorre atualmente.

A construção da ponte envolverá durante as obras um grande volume de trabalhadores e sua localização definirá o futuro da estrutura urbana: se esses trabalhadores forem alojados em Itaparica, será inevitável a sua transformação em subúrbio pobre de Salvador, com a formação ou expansão de favelas.

A alternativa é utilizar os que se alojaram no “miolo”, com transporte entre a moradia e o trabalho, por ônibus dedicados e sem a criação de alojamentos provisórios.

 

Uni ou polinucleada

Salvador já se tornou uma cidade binucleada, com a consolidação do novo e moderno centro no Caminho das Árvores, mantendo ainda o centro tradicional.

A tendência é do desenvolvimento do novo centro e deterioração do tradicional, podendo voltar a ser uninucleada, porém em torno do novo polo e abandono do anterior, que se tornará um subcentro, caracterizado como um polo turístico.

As políticas públicas permitirão essa degradação?

Um centro ou polo regional deve envolver uma escala mínima de população, para viabilizar a integração das diversas funções urbanas.


Um terceiro polo

A expansão urbana está levando à formação de um terceiro polo, que tanto poderá ser um subcentro suburbano, de menor nível econômico, ou um novo “polo da riqueza”, atendendo aos moradores da faixa litorânea adiante de Itapuã, seguindo Stela Maris e Flamengo, passando por Lauro de Freitas e alcançando Arembepe ou entorno.

Repetiria um processo urbano similar ao que ocorreu com a Praia de Boa Viagem no Recife, com características semelhante em relação à localização do aeroporto.

Cenários futuros

O pano de fundo dos cenários urbanos é o cenário econômico, seja da Região Metropolitana como do Estado.

O principal reflexo decorre da arrecadação tributária estadual:

  • Se a economia baiana for bem, o Governo terá mais recursos para investir na capital e na Região Metropolitana.
  • O segundo reflexo é que as principais sedes empresariais, mesmo quando a unidade produtiva é no interior, estão na capital.
  • O terceiro é que os trabalhadores de maior renda vêm consumir na capital.


O maior desenvolvimento das atividades econômicas na Região Metropolitana gera mais emprego, maior massa salarial e maiores gastos no seu comércio e serviços.


Cenário tendencial

O cenário tendencial ou de inércia decorrerá da continuidade da evolução da economia baiana em função dos investimentos já feitos, com eventuais ampliações, porém sem novos empreendimentos bilionários, para aproveitamento de vantagens naturais ou logísticos.


Cenário indesejável

O cenário indesejável ou pessimista assume a crise da petroquímica brasileira e da baiana em especial, decorrente do custo mais baixo do gás de xisto em relação à nafta. A ela se somaria a crise do setor calçadista e a estagnação da produção automobilística na Bahia.


Cenário desejável

O Complexo Petroquímico continuaria em franca produção, apesar da concorrência do gás de xisto, em função do crescimento do mercado interno, o mesmo ocorrendo com a indústria automobilística, acrescida com a produção dos carros da JAC, além da expansão da Ford.

A mineração de ferro seria viabilizada com a efetiva implantação da FIOL e do Porto Sul, contribuindo também para a expansão do agronegócio do oeste baiano, do setor de papel e celulose e a recuperação do cacau.

Haveria ainda o desenvolvimento da energia eólica no Nordeste, com a concentração da produção de equipamentos e componentes na Bahia.

Como legado da Copa 2014 haveria um grande aumento do fluxo do turismo internacional na Bahia, dando sustentação ao seu crescimento econômico e urbano.