INFRAESTRUTURA

Para conquistarmos a cidade que queremos,
temos que começar a planejar agora o futuro do Rio de Janeiro. Veja abaixo importantes questões que precisam ser pensadas para que seja definido o desenvolvimento da cidade.

O Rio de Janeiro sofreu um grande baque econômico com a transferência da Capital Federal para Brasília, nos anos 60, não obstante ter mantido a sede de algumas importantes estatais, assim como a permanência ou o retorno de muitos funcionários inativos do serviço público federal.

Tem uma recuperação recente em função da hospedagem no território estadual de grande parte da cadeia produtiva de petróleo & gás, agora com a perspectiva da produção das camadas do pré-sal.

Embora o pré-sal esteja predominantemente na Bacia de Santos, a infraestrutura para o seu atendimento continua no Rio de Janeiro, tanto na capital, como em Macaé.


Investimentos das petroleiras

As petroleiras, principalmente a Petrobras, farão grandes investimentos no Rio de Janeiro para dar suporte a suas atividades nas Bacias de Campos e de Santos.

Além dos investimento na área do “upstream” (em mar), a Petrobras está implantando o Comperj em Itaboraí, gerando um grande volume de empregos que estão e estarão implantados no seu entorno (Niterói, São Gonçalo e outros).

Um dos legados perversos será o aumento dos aglomerados subnormais.


A reversão econômica

A reversão econômica ocorre com o desenvolvimento da cadeia produtiva do petróleo off-shore no Estado.

O governo estadual se beneficiou dos royalties que agora vão ser distribuídos por todos os Estados, em detrimento da fatia do Rio de Janeiro.

O Governo Estadual perderá dinamismo, como indutor da estruturação da cidade.

Se a economia carioca crescer melhorando a renda da população, a “pacificação das favelas” terá maiores possibilidade de consolidação.

Se, ao contrário, retornar a crise econômica, seguirá aumentando a proliferação das favelas e a “pacificação” será mais difícil.

As perspectivas

A cadeia produtiva do petróleo & gás no Rio de Janeiro deverá seguir evoluindo positivamente.

Já o Poder Público terá que se ajustar às perdas de receita com a redistribuição dos royalties.

Pode se ter a situação de:

  • Setor privado rico;
  • Estado pobre.

A evolução da cidade decorrerá das lógicas e decisões privadas, com baixo poder de determinação ou indução pelo Poder Público.

As grandes questões controversas

Desenvolvimento imobiliário da Barra x Centro Tradicional?

Zona Norte: dormitório x polo urbano integrado?

Zona Sul: a atividade turística será suficiente para manter a vitalidade da zona sul como polo urbano integrado?

Qual é a importância relativa do consumo da “terceira idade” na economia da região?

Qual será o comportamento imobiliário dos herdeiros dos imóveis dos moradores originais?

 

Mobilidade

Priorizar as ligações casa – trabalho a grandes distâncias ou reestruturar o sistema de mobilidade em torno de uma estruturação polinucleada?

Que modos de transporte coletivo adotar?

Os investimentos em mobilidade urbana para os grandes eventos ajudam ou comprometem a estruturação desejada para 2040?


OS LEGADOS – EQUIPAMENTOS ESPORTIVOS

Maracanã

O Maracanã, reformado e modernizado para receber a final da Copa 2014, poderá atender à abertura dos Jogos Olímpicos e servirá de palco para os grandes jogos nacionais e regionais, assim como para eventos musicais e outros de grande porte.

Será um legado importante para a cidade.

Duas indagações, no entanto, permanecem:

  • Os investimentos terão retorno econômico ou a sua operação será sustentada?
  • Valerá a pena retirar a piscina e a pista de atletismo?


Haverá alternativas para atender à FIFA?

 

Demais equipamentos esportivos

Os demais equipamentos esportivos que serão construídos ou reformados para os Jogos Olímpicos terão utilidade posterior ou virarão “elefantes brancos”?

O Rio de Janeiro ainda tem equipamentos construídos para os Jogos Panamericanos que estão ociosos e não serão aproveitados para os Jogos Olímpicos.

O que poderá ser feito para seu aproveitamento depois da Olimpíada?

Qual é experiência de Londres, Beijing e outros?


Os investimentos na hospedagem dos atletas

Qual é a previsão de impacto dos investimentos na Cidade Olímpica, isto é, na hospedagem dos atletas que virão para a Olimpíada?

O que aconteceu – realmente – com a cidade do Pan, no Rio de Janeiro?

Qual é a experiência de outras cidades?

Como estará a cidade olímpica do Rio de Janeiro em 2040?



O LEGADO - HOSPITALIDADE

Os principais componentes

Para atendimento aos turistas que acorrerão ao Rio de Janeiro para a Copa e para a Olimpíada os principais investimentos estão:

  • Na melhoria do Aeroporto Internacional
  • Nas ligações entre o aeroporto e os polos hoteleiros e locais das competições
  • Na ampliação e melhoria da rede hoteleira
  • Nos investimentos e serviços complementares


Aeroporto

Em relação ao aeroporto há duas alternativas:

  • Ampliar e modernizar para bem atender aos viajantes;
  • Criar um marco “inesquecível” para os turistas:


Busca-se embelezar a vitrine, mas pode ser uma grande vidraça.

Beijing optou por criar um grande marco (Olimpíada de 2008), assim como Johanesburg (Copa do Mundo de 2010).

Londres apenas melhorou o aeroporto que já tinha.

Qual é a opção do Brasil?

Haverá tempo para intervenções mais amplas?

Evitar-se-á ser uma vidraça?

 

Infraestrutura de transporte

Com a localização da Cidade Olímpica na Barra da Tijuca, gerou-se a grande oportunidade para a ligação entre o Aeroporto Internacional no Galeão e a Barra da Tijuca.

A opção é pelo BRT, com as alternativas expressas e paradora.

Essa opção atenderá também os moradores do entorno do corredor, constituindo-se num legado positivo para a cidade.

Já a ligação da Barra com a Zona Sul deverá ocorrer com a extensão do metrô.


O LEGADO – MOBILIDADE URBANA

O Futuro

Como ficará a mobilidade urbana no Rio de Janeiro em 2017 e anos subsequentes?

O planejamento das intervenções na mobilidade urbana devem ter em vista apenas os eventos ou uma perspectiva de mais longo prazo?

Os investimentos em mobilidade urbana para os eventos ajudam ou prejudicam a estruturação futura da cidade?

Qual será a situação em 2040?

 

Conflitos sociais

Numa cidade amplamente ocupada, como o Rio de Janeiro, qualquer nova grande obra para a mobilidade urbana implica em desapropriações.

Há uma resistência crescente da sociedade contra o desalojamento da população instalada, principalmente daquela de menor renda.

Conseguirão os governantes viabilizar esses novos investimentos?


ESTRUTURAÇÃO URBANA

Cidade polinucleada

A tendência em curso da evolução da cidade do Rio de Janeiro é pela polinucleação, com dois grandes polos:

  • O centro tradicional
  • A Barra de Tijuca


A área de ocupação mais antiga poderá ainda ter dois subcentros:

  • Um na zona sul
  • Outro na zona norte


A concepção

A concepção da grandes polos dentro da mesma cidade envolveria uma ocupação territorial mista, em que a população moradora possa realizar fração predominante das suas funções urbanas próxima da sua moradia, acessível a pé ou utilizando não mais do que 30 minutos nos seus deslocamentos por meios de transporte motorizado.

Os deslocamentos em grandes distâncias ou tempos maiores que 30 minutos seriam destinados apenas ao atendimento de funções metropolitanas, realizadas ocasionalmente e não rotineiramente.

As ações rotineiras e repetitivas no dia a dia deveriam ser totalmente realizadas em locais próximos.

Isso reduziria substancialmente o movimento nas vias públicas e nos sistemas de transporte coletivo.


As perspectivas do centro histórico

  • Degradação
  • Revitalização ampla
  • Revitalização restrita – área portuária


O principal projeto de revitalização é o Porto Maravilha:

A questão é o poder de indução de mudanças do projeto no seu entorno.

De um lado a expectativa é que os investimentos provoquem uma profunda mudança regional. De outro, a modernização poderá se limitar ao projeto, sem alterar o entorno.


Centro – Porto Maravilha

O projeto do Porto Maravilha terá capacidade de reverter o processo de deterioração do entorno da área portuária do Rio de Janeiro ou acabará implantado apenas parcialmente, com um grande avanço até os Jogos Olímpicos, promovido pelos incentivos governamentais, e depois ficar muito tempo sem grandes avanços?

As empresas da cadeia produtiva do petróleo & gás preferirão se instalar na Barra de Tijuca – uma área mais moderna e ainda com muitos espaços abertos – ou no Porto Maravilha, que teria vantagens logísticas?



Alternativas para a Zona Norte

Continuar sendo predominantemente uma área dormitório ou tornar-se um polo autossuficiente?

As estratégias de investimentos públicos continuarão sendo para melhorar a mobilidade dos trabalhadores locais para os centros de trabalho?

O que será necessário fazer para tornar-se um polo urbano autossuficiente?

Que atividades econômicas poderão ser instaladas para gerar trabalho na região?

Haverá ainda espaço para indústrias de grande escala?

Call center seria uma alternativa?


Tendências – Barra

O crescimento continuada da Barra irá ofuscar o crescimento das demais áreas, condenando-as a se transformarem em áreas dormitórios dos que vão trabalhar na nova área?

O “status” da Barra fará com que moradores de alta renda busquem moradia lá e continuem trabalhando no centro ou na Zona Sul?

Como ficará a mobilidade urbana nesses casos?

Os ricos moradores da Barra utilizarão metrô para ir trabalhar no centro?



Tendências – Zona Sul

A Zona Sul tem como atividades econômicas próprias o turismo e as ações em torno da terceira idade.

O consumo desse público movimenta o comércio, os serviços pessoais e as atividades da hospitalidade.

Supõe-se que os grandes eventos ajudarão a aumentar o fluxo permanente de turistas nacionais e internacionais para a área, com uma absorção de mão de obra superior aos dos moradores da própria região, importando diariamente grandes contingentes de outras regiões, sobrecarregando os sistemas viário e de transportes coletivos.

A massa de renda da terceira idade tende a decrescer.

Uma nova geração está tomando conta dos imóveis tradicionais da área, podendo seguir lógicas diferentes.