INFRAESTRUTURA

Para conquistarmos a cidade que queremos,
temos que começar a planejar agora o futuro de João Pessoa. Veja abaixo importantes questões que precisam ser pensadas para que seja definido o desenvolvimento da cidade.

João Pessoa, em 2040, poderá ser a continuidade da conformação atual ou estar profundamente transformada.

Fator novo significativo é a instalação do polo industrial, ancorado pela nova fábrica da Fiat em Goiana, divisa de Pernambuco com a Paraíba, que poderá ter grande impacto sobre o futuro de João Pessoa.


Vocação turística x Grande Metrópole

João Pessoa ainda se caracteriza como um polo turístico receptivo nacional, embora não esteja entre as mais procuradas, por não contar com uma grande atração diferenciada, destacada pela mídia especializada.

Por isso mesmo pode ser ainda considerada como uma cidade tranquila, apesar de já enfrentar congestionamentos nos horários de pico, nas suas principais vias.

Como cidade turística é polarizada pela orla marítima que vai do Bessa até a praia de Gramame, tendendo a se estender para o sul, tendo Tambaú como o polo central, concorrendo com o centro tradicional.

Poderá tentar se manter como um polo turístico nacional, estendendo-se urbanisticamente na direção do litoral sul ou se desenvolver no sentido de um grande centro comercial e de serviços do novo polo industrial, a partir da Fiat em Goiana.

Isso leva à controvérsia seguinte.

Desenvolvimento do vetor norte e central x vetor sul

O primeiro privilegia as áreas de ocupação mais antiga e o centro tradicional e poderá atender melhor a população local.

O segundo envolve a expansão do pólo turístico para atender ao fluxo de turistas, atraindo também a população local de maior renda.

Poderá haver a convivência entre as opções, mas as prioridades afetarão os investimentos em infraestrutura.

No vetor Sul a cidade apresenta um grande crescimento da população de média e baixa renda em loteamentos com a infraestrutura pronta.


Cidade dormitório de média e alta renda?

A localização dos funcionários de média e alta renda do novo polo industrial, preferencialmente em João Pessoa e não nos condomínios litorâneos – seja da Paraíba ou de Pernambuco, ou mesmo no Recife -, é uma suposição controversa.

Pode-se acreditar que isso ocorrerá e a cidade deve se preparar para essa “invasão”.

Pode-se acreditar que isso não ocorrerá e não é preciso considerar uma expansão excepcional da cidade.

Preparar a cidade para um crescimento que não ocorra poderá resultar em ociosidade de infraestrutura e déficit em outras regiões.

Pode-se ainda desconsiderar essa “ameaça ou oportunidade” e, caso ocorra, tomar as providências necessárias, como é o usual das gestões das cidades.


Uninucleada ou trinucleada?

Atualmente João Pessoa é binucleada, tendo Tambaú como um novo centro, além do tradicional, como um polo comercial, de serviços e de hospitalidade (hotelaria e gastronomia).

No futuro poderá desenvolver os dois centros ou o desenvolvimento de Tambaú poderá fazer com que o centro tradicional se deteriore.

Com o crescimento da cidade, outros polos poderão ser desenvolvidos pelo mercado imobiliário? Como optar e planejar?

Diretrizes para Saneamento Básico

Considerando o desenvolvimento urbano e populacional de João Pessoa no horizonte do plano, como garantir a sustentabilidade dos mananciais sem agredir o meio ambiente? Como garantir que os afluentes de esgotos sanitários possam ser tratados e permitam a sustentabilidade dos recursos hídricos da faixa litorânea do estado?


Traçados e modos do transporte coletivo?

O trem metropolitano existente na cidade é uma herança da Rede Ferroviária Federal, com o uso da linha destinada à carga para o transporte de passageiros entre João Pessoa e Cabedelo.

O Porto de Cabedelo voltou a aumentar o movimento de cargas em virtude do Porto de Suape ter atingido níveis de saturação em sua operacionalidade. Caberá investir na modernização da rede atual ou os investimentos deverão ser destinados prioritariamente a outras ligações, como o Porto de águas profundas em Lucena.

A tendência é atender às demandas reprimidas, uma vez que um novo sistema com transporte de massa poderia desafogar o trânsito atual e ainda garante um resultado econômico mais favorável a curto prazo. Esta segunda questão é fundamental caso a modalidade institucional seja de uma parceria público-privada.

Essa opção consolida a estrutura atual. Já um novo sistema moderno de transporte de massa pode modificar a estrutura urbana atual, promovendo o desenvolvimento de uma nova centralidade urbana.

Nesse caso, qual e onde seria essa nova centralidade? A que já está em formação, como Tambaú, ou seria uma outra distinta, com áreas disponíveis para uma melhor ordenação urbana?

Por outro lado o modo é importante em relação ao impacto. A questão não é apenas de capacidade de transporte, mas de substituir o transporte individual pelo coletivo: um BRT melhora a velocidade de circulação dos ônibus, porém tem baixa capacidade de transferência.

Já um VLT teria uma probabilidade maior de transferência, mas ainda menor do que sistemas mais onerosos como o monotrilho e o metrô.

As soluções devem ter em vista os problemas atuais ou estarem voltadas para o médio e longo prazos.

Finalizando vem o seguinte questionamento: é possível o planejamento urbano adequado e sustentável sem considerarmos os condicionantes conjuntos das cidades que formam a Grande João Pessoa?