INFRAESTRUTURA

Para conquistarmos a cidade que queremos,
temos que começar a planejar agora o futuro de Fortaleza. Veja abaixo importantes questões que precisam ser pensadas para que seja definido o desenvolvimento da cidade.


O novo PDDUFOR

Em 2009 foi aprovado o novo PDDUFOR, que sofreu um pequeno ajuste no final de 2011, mas caracterizou o plano atual como o PDDUFOR-2012. O PDDU2012 define 5 eixos principais, com foco nas questões sociais e ambientais:

  • Promover a regularização fundiária e a produção de habitação de interesse social, aplicando os instrumentos que garantam a função social da cidade
  • Ordenar o crescimento urbano e promover a cidade acessível
  • Promover uma cidade sustentável para as futuras gerações
  • Constituir a gestão democrática da cidade, elevando a capacidade de participação da população no planejamento, gestão e financiamento da cidade
  • Promover o acesso da população às oportunidades de desenvolvimento econômico, social e de consumo da cidade


A expansão econômica

A expansão econômica de Fortaleza depende de dois segmentos principais:

  • A industrialização relacionado ao Porto de Pecém em função dos empreendimentos previstos no seu entorno e pela operação da ferrovia transnordestina, ampliando o volume de cargas.
  • O turismo.

Secundariamente deve ser considerada a cadeia produtiva da energia eólica, que poderá ter em Fortaleza um dos seus principais polos. Há ainda a perspectiva da Refinaria de petróleo, cercada de incógnitas.


Dependência de empreendimentos federais

A evolução futura da Grande Fortaleza está na dependência de quando serão efetivados 3 grandes empreendimentos promovidos pelo Governo Federal:

  • A Linha Leste do Metrô de Fortaleza
  • O Porto de Pecém
  • A refinaria de petróleo, prevista pela Petrobras


Os cenários alternativos

Tendencial

  • Fortaleza terá um crescimento demográfico moderado, com estabilização na capital e crescimento dos municípios conurbados;
  • O Porto de Pecém poderá ter um crescimento acentuado, a depender do início da operação da Companhia Siderúrgica do Pecém, que está em fase de construção.

Pessimista

  • Fortaleza receberá fluxos migratórios que não encontrarão, rapidamente, oportunidades de trabalho, mas que permanecerão – ainda que temporariamente – na expectativa daquelas, ampliando o contingente de pobreza.

Otimista

  • As principais obras públicas e privadas como a Refinaria, a Companhia Siderúrgica do Pecém e a Transnordestina serão concluídas, viabilizando a implantação de novas grandes indústrias na Região Metropolitana de Fortaleza, gerando renda que será multiplicadas pelas atividades da construção civil e do setor terciário.


O turismo

A Região Metropolitana de Fortaleza tem um grande potencial turístico, cuja efetivação terá grande influência sobre o desenvolvimento urbano. Uma das áreas de alto potencial, com ocupação rarefeita, é a Praia do Futuro, que poderá ou não repetir o modelo de ocupação das Praias de Meireles e Iracema, com grande verticalização, mesclando residência e hotelaria.

A realização da Copa do Mundo foi utilizada como indutor para viabilizar um terminal marítimo de passageiros, o que atenderá ao turismo de cruzeiros, durante o verão do hemisfério sul. Fortaleza não é ainda um dos principais destinos desses cruzeiros, mas tem a possibilidade de trabalhar o ano todo com os cruzeiros do hemisfério norte e sul.


Os polos metropolitanos

Além do centro tradicional, Fortaleza desenvolveu um novo centro, mais moderno e rico, em Aldeota, transferindo do centro tradicional um conjunto de atividades comerciais e de serviços para as classes de maior renda, deixando aquele como o principal centro popular.

Nos próximos 25 anos Aldeota poderá se firmar como o principal centro metropolitano, em detrimento do centro tradicional. O centro tradicional poderá conviver com o novo centro da Aldeota, mantendo a segmentação social atual, ou poderá passar por uma requalificação urbana, econômica e social de modo a ter um novo posicionamento em Fortaleza.

Deverá ser considerada e avaliada a hipótese de um terceiro polo metropolitano, seja aqueles já em expansão ou em função dos investimentos no entorno da arena Castelão.


Vetores de expansão

O vetor leste seguirá a verticalização, porém reprimida pelos elevados custos dos terrenos, sendo necessário substituir ocupações existentes com casas unifamiliares. O vetor oeste poderá seguir a tendência de graduação imobiliária, principalmente no entorno da saída da cidade na direção oeste (Av. Bezerra de Menezes e Mr. Hull), ou ter a transferência do dinamismo imobiliário para o vetor sul, em função da reforma do Castelão e das melhorias urbanas no seu acesso e entorno.


A cidade partida

Do ponto de vista social e de ocupação territorial, Fortaleza é uma cidade partida, com uma área tomada pela riqueza, formada por Aldeota e o litoral leste (Praias de Meireles e do Futuro), e uma área da pobreza dominante na área oeste. Mas mesmo na áreas mais ricas há ocupações irregulares da pobreza que haviam se instaladas antes e resistem em sair.

Nos próximos anos elas continuarão resistindo ou serão “expulsas” pelo mercado imobiliário, acentuando a cisão da cidade?


O tratamento das ocupações de baixa renda

Desde 88, houve uma inversão na percepção das favelas:

  • A perspectiva de problema foi substituída pela de solução.
  • Consequentemente, os planos e a legislação procuram favorecer a permanência das ocupações, com a melhoria da infraestrutura e dos serviços públicos, promovendo a urbanização e a melhoria dos próprios imóveis residenciais, transformando-as em bairros.
  • Os avanços têm sido tímidos nessa direção, por ineficiência pública, mas a expansão do mercado privado continua o processo de “expulsão” dessa população, quando ela ocupa áreas fortemente valorizadas.

Como serão os próximos 25 anos nesta questão?


Cidade descentralizada x compacta

O PDDU busca ordenar a expansão urbana, definindo o padrão de expansão ou restrição, porém dentro da concepção de descentralização das atividades urbanas, suportada por um sistema mais eficiente de transporte coletivo, mas também com intervenções no sistema viário.

A alternativa ora em voga é a cidade compacta, que, no caso, seria em torno das estações metroviárias, mediante o seu adensamento verticalizado e multiuso.

Diante de um crescimento global menor, isso poderia significar a estagnação ou mesmo o esvaziamento de outras áreas da cidade.


Mobilidade

A implantação da linha do VLT Parangaba-Mucuripe implica em várias desapropriações em torno da antiga línha férrea, ocupada em função da sua inatividade, ao longo de muitos anos.

Como uma grande parte desses moradores é de baixa renda, há uma reação social muito forte contra essas desapropriações, o que pode determinar a inexecução do empreendimento.

A Linha Leste do metrô será o maior investimento em mobilidade urbana de Fortaleza.

Para atender à demanda de deslocamento e, principalmente, ao aumento da frota de automóveis, a política de mobilidade poderá ser:

  • Ampliar o sistema viário para atender aos aumentos de deslocamento por automóvel.
  • Criar sistemas de transportes coletivos de qualidade que promovam a substituição do carro pelo transporte coletivo.
  • Estruturar o desenvolvimento da cidade em torno de núcleos autossuficientes de forma a reduzir as necessidades de deslocamento motorizado.

Tudo isto a depender da cidade de Fortaleza ter um Plano de Mobilidade Urbana atualizado, com as novas tendências e necessidades da cidade.