INFRAESTRUTURA

Para conquistarmos a cidade que queremos,
temos que começar a planejar agora o futuro de Florianópolis. Veja abaixo importantes questões que precisam ser pensadas para que seja definido o desenvolvimento da cidade.

Florianópolis tornou-se um grande polo de atração turística de férias para a classe média e de segunda residência dos mais abastados.

Como tal a cidade vive dois momentos distintos:

  • O da temporada, quando aumenta substancialmente a sua população, o movimento dos serviços de hospitalidade e o uso das vias públicas.
  • O de fora da temporada, com uma cidade mais tranquila e com serviços ociosos, sendo que alguns suspendem as suas atividades.


Essa característica da cidade traz alguns impactos estruturais: Gera renda para comerciantes e prestadores de serviços aos turistas, incentivando inclusive a migração de empreendedores que se tornam uma importante demanda por imóveis de média e alta renda.

Essa demanda tende a elevar os valores imobiliários, que afetam os moradores permanentes.

O Governo promove investimentos em infraestrutura que ficam como legado para a população permanente.


Encarecimento

Com a “explosão” da demanda durante a temporada, os preços sobem, afetando o custo de vida de população permanente.

A demanda por terrenos para construção de hotéis e outros empreendimentos turísticos eleva os valores imobiliários.


O conflito

Esse quadro provoca um conflito entre a população permanente não diretamente vinculadas às atividades de atendimento turístico e os empreendedores e trabalhadores da cadeia produtiva do turismo.

De um lado há um grande interesse do mercado imobiliário em ampliar a oferta hoteleira de alto padrão, ocupando áreas litorâneas.

De outros estão os ambientalistas, contra essa ocupação, com apoio dos oponentes à privatização das orlas marítimas.



A base econômica própria

A base econômica própria de Florianópolis é dada pelo turismo, com duas características:

  • Turismo de segunda residência ou de férias de alta renda, em condomínios
  • Turismo de lazer de curta permanência


Desenvolve ainda a atividade de maricultura (camarões, carcinicultura e ostras), com suprimento nacional.

Florianópolis tem uma condição universitária avançada e pode sediar empresas de base tecnológica, de mercado supra-local, sendo que uma das principais atividade é a de planejamento logístico, com o centro de pesquisa rodoviária.

 

A instalação da pobreza

A atividade turística requer um grande volume de trabalhadores de média e baixa qualificação. A grande demanda durante a temporada atrai imigrantes, que só têm ocupação uma parte do ano:

  • Onde se instalam?
  • O que fazem fora da temporada?
  • Retornam para a sua origem?

 

A cidade que teremos

A cidade que teremos decorrerá da sequência das tendências atuais, com a ampliação dos condomínios e resorts que pode comprometer o ambiente natural e gerar mais congestionamentos que levem à saturação do processo.

 

As principais questões definidoras

Queremos a cidade baseada no turismo ou baseada na centralidade administrativa e negocial?

A maricultura será apenas uma atração turística ou uma base econômica geradora de renda e impulsionadora do desenvolvimento urbano?

A centralidade será única ou buscar-se-á uma descentralização?

Os escritórios ainda estão concentrados no centro, seja o tradicional como o expandido. Não emergiram novos centros comerciais em bairros.

Não se formou um novo polo como ocorreu no Rio de Janeiro e em Salvador, assim como não se criaram polos com saltos da expansão central, como ocorreu em São Paulo.

 

A cidade inteligente

Há um movimento na cidade para a transformação de Florianópolis numa cidade inteligente (“smart city”), como existem algumas no mundo (Ilha de Malta, Cingapura e outros).

Não há ainda muita clareza sobre o que seja uma cidade inteligente, porém há algumas características definidoras:

  • A existência de um polo de serviços de TI
  • O uso intenso de TI pelos serviços públicos e pela população
  • O foco nas construções e atividades sustentáveis

 

Compacta ou inteligente?

Há uma confusão entre os conceitos de cidade compacta e inteligente.

A cidade compacta seria aquelas em que as pessoas pudessem realizar até 80% de suas funções urbanas nas proximidades da moradia, deslocando-se, preferencialmente, por meios não motorizados.

Eles deveriam poder fazer isso gastando menos de 30 minutos, ou preferencialmente menos de 20 minutos.

 

As ilusões

Diante dos problemas sempre surgem “soluções mirabolantes”, em geral propostas por fornecedores ou detentores de tecnologia, que depois se mostram inviáveis ou ineficazes.

O maior problema da mobilidade urbana não está na escassez da oferta, seja para o transporte individual como para o coletivo, mas na demanda, pelas opções de deslocamento ou pela opção pessoal do modo de transporte.

A suposição é que com a oferta do transporte coletivo haverá a substituição do meio individual pelo coletivo, o que nem sempre é verdade.

 

Dois exemplos

Está proposta a solução de um teleférico para atender principalmente estudantes e professores da UFSC.

Com a sua instalação é provável que aqueles que usam o ônibus migrem para o novo modo.

Mas será que aqueles que usam o carro migrariam também?

Outra proposta é do “bonde individual”, o que depende da instalação de uma extensa rede ferroviária.

Na realidade é um sistema para centros de exposição ou espaços limitados, não uma solução de mobilidade urbana de cidades.

 

Estruturação urbana

A principal ideia das cidades do futuro é aquela em que as pessoas possam exercer todas as suas atividades urbanas numa mesma área.

A questão básica que deve ser discutida é se isso é viável numa cidade turística internacional que recebe, no período de férias, uma população flutuante de grande monta, que poderá ser superior à população fixa.

 

Mobilidade urbana

Essa mesma questão da variação do tamanho da sua população, em função do turismo, envolve a mobilidade urbana:

  • A infraestrutura viária ou de transportes coletivos deve ser dimensionada para a população fixa ou para a população do período de férias?
  • Caso seja dimensionada para a demanda adicional dos turistas, os recursos que eles deixam na cidade seria o suficiente para financiar esses investimentos? Ou o ônus recairá sobre a população local fixa?


Como estará a mobilidade urbana em Florianópolis em 2040, diante dessas questões?

 

Aumento da frota

A população local continua adquirindo novos carros. São emplacados por mês cerca de 3000 veículos no município.

Além desses, quantos carros dos turistas pretenderão circular nas vias já congestionadas?

As dificuldades no trânsito afastarão os turistas?

Isso melhorará a cidade ou levará a sua degradação?