INFRAESTRUTURA

Para conquistarmos a cidade que queremos,
temos que começar a planejar agora o futuro de Curitiba. Veja abaixo importantes questões que precisam ser pensadas para que seja definido o desenvolvimento da cidade.

Crescimento acelerado ou mitigado?

A Região Metropolitana de Curitiba cresceu, na última década, ainda a taxas relativamente elevadas, acima das maiores cidades, continuando a receber imigrantes para as suas indústrias e que se instalaram nos municípios do entorno de Curitiba.

Nessas três próximas décadas, a RM de Curitiba manterá taxas de crescimento elevadas ou seguirá as tendências gerais, chegando à estagnação do crescimento, ou até a redução?

Pode-se considerar a alternativa, comum nas demais regiões metropolitanas brasileiras, de que a capital – até 2040 – tenha um decréscimo de população, enquanto as demais sigam crescendo?

A indústria paranaense seguirá crescendo ou entrará em estagnação?

A indústria voltada para mercados suprametropolitanos que se instalou na Região Metropolitana de Curitiba tornou-se o principal vetor de crescimento econômico e, consequentemente, urbano da região. Embora não seja o maior setor econômico, é o germinador do crescimento, uma vez que o comércio e os serviços dependem da evolução do mercado local, alimentado pela renda distribuída pela indústria, principalmente através da massa salarial.

O principal setor é o automobilístico, com a instalação do complexo automotivo da Renault. Este setor é altamente competitivo e o mundo tem assistido grandes transformações sem sua estrutura, seja com a emergência de novos concorrentes, todos oriundos da Ásia, seja pelo fechamento de unidades, tanto em definitivo como pela transferência para outras localidades, na busca de maior produtividade e custos menores.

Em 2040 a Renault estará ainda na RMCuritiba, produzindo mais ou, na alternativa oposta, terá se retirado? São previsões difíceis, mas não há consenso, levando a necessidade de “apostas de risco” em relação ao futuro.

Metrópole uninucleada ou polinucleada?

Curitiba ainda tem um centro tradicional com grande vitalidade. Não ocorreu uma grande transferência, capitaneada pelo mercado imobiliário, de localização dos escritórios e do comércio moderno (caracterizados pelos shopping centers) para a formação de novos polos concentradores de empregos, com vitalidade suficiente para concorrer com o centro tradicional.

Qual será, no entanto, o processo nos próximos 25 anos?

O centro resistirá e permanecerá como o único polo ou serão formados e consolidados novas centralidades? Decorrerão dos investimentos da infraestrutura, de uma estratégia do planejamento governamental ou da escolha do mercado imobiliário?

Onde seriam esses novos centros e com que intensidade e grau de integração entre as diversas funções urbanas?

Traçado das intervenções viárias e no sistema de transporte

As propostas de intervenções viárias e da primeira linha metroviária tem o sentido longitudinal, norte sul, reforçando a tendência determinada pela travessia da BR 116 pela Região Metropolitana.

Uma complementação radial (ainda que parcial) prevê a melhora das ligações entre o centro e à área industrial e ao Aeroporto Internacional, ambas já no município de São José dos Pinhais.

Esta concepção para atender a mobilidade urbana, em outras cidades, principalmente São Paulo, demonstrou que essa infraestrutura promove o adensamento do seu entorno, com elevada carga de transporte, porém não libera as vias estruturais paralelas. Ao contrário, aumenta a demanda de automóveis, gerando permanentes congestionamentos.

A alternativa é de sistemas de integração local, para promover o adensamento de novas centralidades e ligações de maior capacidade entre os polos.

As linhas longas ajudam a afastar os trabalhadores dos centros de emprego e a formação de áreas dormitórios, agravando os problemas de mobilidade urbana.

Não seriam soluções, mas geração de novos problemas.


Seleção do modo do transporte coletivo de elevada capacidade

Curitiba foi pioneira na implantação do BRT, sob a denominação de “Ligeirinho”, que depois foi adotado por Bogotá e de lá ganhou o mundo, retornando sob a denominação inglesa de Bus Rapid Transit.

O sistema atual está ficando próximo à saturação, nos horários de pico, retomando a polêmica sobre o seu uso como o modo preferencial para o transporte coletivo. A opção seria passar para o sistema metroviário, nas ligações de maior densidade, apesar de requerer investimentos muito maiores e envolver custos operacionais igualmente maiores que poderão requerer subsídios públicos às tarifas para reduzir os ônus aos usuários.

Que opção deverá ser desenvolvida nos próximos anos?


Relevância real do turismo de negócios

O turismo em Curitiba é predominantemente de eventos, o que tem dependido da ação pública, tanto na criação de uma infraestrutura, através da construção de Centro de Exposição e Convenções, como do marketing e captação de eventos, para compensar a falta de atrativos naturais geradoras do turismo de lazer.

Os atrativos de lazer são complementares para atender aos turistas de negócios e não a atração principal.

O turismo de eventos de negócios terá relevância suficiente para caracterizar uma vocação de Curitiba ou será apenas uma atividade complementar geradora de empregos e de renda?

Investimentos públicos maiores serão eficazes para aumentar significativamente o turismo de negócios ou seu desenvolvimento deverá ser deixado ao setor privado?

Curitiba será sede de jogos da Copa do Mundo e, como tal, terá os olhos do mundo em sua direção.

Como irá tratar essa oportunidade e promover a sua condição de polo do turismo de eventos?

Diversamente das cidades que igualmente vão receber jogos da Copa e têm atrações naturais para mostrar, o que Curitiba irá mostrar para atrair turistas de eventos ou organizadores de eventos de negócios?


Curitiba – cidade inteligente

Curitiba, como as demais capitais, quer ser uma cidade inteligente, embora não haja consenso sobre o que o conceito significa.

O mais evidente tem sido a promoção da instalação de polos tecnológicos para a atração de empresas dedicadas à tecnologia da informação, buscando a criação de uma base de desenvolvimento tecnológico, como o “sillical valley”.

Ocorre que uma cidade base para a geração de novas tecnologia da informação, seja de software ou de hardware, precisa ter escala mundial e enfrentará a concorrência de outras cidades, sejam brasileiras ou de outros países.

Além dos investimentos em laboratórios e instalações, deverá contar com grandes contingentes de pessoal altamente qualificado, que não são abundantes, requerendo condições diferenciadas de atração.

Quais são as perspectivas de Curitiba e o que precisará ser feito para o desenvolvimento de um polo tecnológico?

A outra concepção de cidade inteligente, difundida como “smart city”, está relacionada com a utilização de redes de informação para orientar as pessoas em relação às decisões de locomoção, desvios de tráfego, opções de locais de alimentação, compras etc.

Envolverá grandes investimentos em ITS e em outros serviços.

Será uma tendência inevitável ou um “luxo” reservado apenas a algumas cidades e, no caso, Curitiba deve se candidatar ao posto?


Curitiba – cidade sustentável

Curitiba foi considerada a cidade mais verde da América Latina em 2011.

Isso seria suficiente para caracterizá-la como uma cidade sustentável?

Um dos indicadores da sustentabilidade ambiental é a emissão de gases de efeito estufa gerada – principalmente – pelas emissões dos ônibus e caminhões que se movimentam com óleo diesel.

A substituição dos ônibus a diesel mineral por biodiesel ou tração elétrica reduziriam a emissão dos gases. Melhor regulagem dos motores também poderia reduzir a emissão.

A adoção maior da bicicleta substituindo veículos motorizados será outra indicação de sustentabilidade ambiental.

Porém é preciso também assegurar a sustentabilidade social, o que seria caracterizado pela erradicação do déficit habitacional e ampliação dos serviços públicos essenciais.

Curitiba tinha em 2010 ainda cerca de 10% da sua população em aglomerados subnormais.

Conseguirá até 2040 eliminá-los inteiramente? Com que estratégias?