INFRAESTRUTURA

Em 25 anos, muita coisa acontece e muda a face das nossas cidades

As grandes transformações urbanas da cidade já haviam sido implantadas antes de 88, quando uma nova política de desenvolvimento urbano é estabelecida com a nova Constituição Federal. Ela não muda, no entanto, a concepção básica de estruturação da cidade a partir de centros lineares, mantida ao longo de todos os anos subsequentes.

A Curitiba desejada, desde o primeiro plano diretor, formulado em 70, e ratificada nos planos subsequentes, sob comando ou inspiração de Jaime Lerner, era de uma cidade desenvolvida em torno do centro e de vias estruturais, onde seria permitida ou promovida a verticalização. A concepção das vias estruturais foi ampliada e consolidada como uma via trinária, com um corredor central, dedicado ao transporte coletivo, e as duas outras vias para os veículos comuns, uma para cada mão de direção. Esta concepção foi ampliada para o estabelecimento de vias paralelas às vias estruturais, cada qual com mão única de direção.

Em teoria, a concepção estaria dentro do conceito da cidade compacta, porém a implantação das vias estruturais aproveitando as vias existentes consolidou o modelo centro-periferia, funcionando as vias estruturais como radiais, facilitando o deslocamento da população da periferia ao centro e vice versa. Facilitada a ocupação da periferia, era previsível a saturação do sistema de transporte público, o que efetivamente ocorreu.

As vias estruturais foram sendo implantadas gradualmente, com duas obras mais marcantes: a Linha Verde, que foi uma remodelação de trecho da BR 116 que atravessa a cidade, liberada do transporte pesado, com a construção do contorno de Curitiba para implantação do sistema trinário; e a Conectora 5, com a promoção de um novo bairro: a Ecoville.

Na década de 90, diversos parques temáticos, de caráter emblemático, são criados, como o Jardim Botânico e o Teatro de Ópera de Arame.

Houve ainda um esforço bem sucedido de industrialização da Região Metropolitana de Curitiba, o que trouxe um grande volume de indústrias, promovendo o seu desenvolvimento e a ampliação dos empregos. O processo teve como sequela, no entanto, a formação de favelas, inexistentes antes, mas iniciadas pelos ex-empregados atraídos pela construção das fábricas, da infraestrutura e das novas edificações, que não retornam às suas origens depois de concluídas as obras, permanecendo na cidade com soluções precárias de moradia.

A questão habitacional torna-se dominante e, entre outras soluções, temos a constituição de novos bairros, como o Bairro Novo.

O mercado imobiliário de alta renda se desloca do centro para novas áreas, algumas delas formadas por condomínios fechados, seguindo uma discutível tendência de ocupação do solo urbano. O processo não é o de substituição – levando à decadência de áreas tradicionais – mas de diversificação regional.

A implantação dos setores estruturais, com a verticalização do entorno, não resolveu a carência da moradia popular. Consequentemente, a urbanização das favelas passou a ser a grande prioridade.